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Mantras: o que são, para que servem, e porque é que repetir ajuda

21/09/2026

Yoga Vista de uma janela para uma floresta de outono colorida, com chuva a cair, e uma almofada em primeiro plano.

 

Se já foste a uma aula de yoga que terminou com toda a gente a cantar uma sílaba em uníssono, é provável que tenhas sentido uma de duas coisas: ou um arrepio inesperado, ou uma vontade enorme de que aquilo acabasse depressa.

As duas reações são normais. E nenhuma delas tem grande coisa a ver com o que um mantra é.

A palavra explica-se a si própria

"Mantra" vem do sânscrito e junta duas raízes: manas, que é mente, e tra, que é instrumento ou proteção. Um mantra é, literalmente, uma ferramenta para a mente.

Não é uma oração, porque não se dirige necessariamente a ninguém. Não é uma afirmação positiva, dessas de escrever no espelho. É mais próximo de um ponto de apoio - uma coisa simples e repetida à qual a atenção se pode agarrar quando começa a dispersar.

E a atenção dispersa sempre. É isso que ela faz.

Porque é que a repetição funciona

Tenta ficar parado durante três minutos a não pensar em nada. É quase impossível. Em poucos segundos já estás a rever uma conversa de ontem ou a planear o jantar.

Tenta agora ficar três minutos a repetir uma frase curta, sempre igual. Continuas a distrair-te - mas, sempre que dás por isso, tens um sítio para onde voltar.

É essa a mecânica toda. O mantra não trava os pensamentos, e não é isso que se pretende. Dá-te é um ponto de regresso, para que a distração deixe de ser um fracasso e passe a ser apenas uma volta ao princípio.

Há ainda um aspeto físico, quando o mantra é cantado em voz alta. Uma frase repetida obriga a respirar de forma regular e a prolongar a expiração. Respirar assim, de forma lenta e ritmada, é uma das formas mais simples de acalmar o corpo - e não tem nada de místico.

Alguns dos mais conhecidos

Om (ou Aum). O mais universal, e o mais mal compreendido. Não quer dizer nada em particular - não se traduz. É um som, dividido em três partes que se sucedem: a abertura da boca, o meio, e o fecho dos lábios. Cantado devagar, sente-se vibrar no peito e na cabeça.

Om Shanti. Shanti é paz. Costuma repetir-se três vezes, tradicionalmente para pacificar três planos: o que vem de fora, o que vem dos outros, e o que vem de dentro de nós.

So Ham. Traduz-se aproximadamente por "eu sou isso". É um mantra silencioso, acompanhado da respiração: so na inspiração, ham na expiração. Dos mais fáceis para quem está a começar, porque não exige voz nenhuma.

Om Namah Shivaya. Um dos mais antigos e repetidos. Costuma associar-se à dissolução daquilo que já não serve - hábitos, apegos, versões nossas de que já saímos.

Lokah Samastah Sukhino Bhavantu. "Que todos os seres em todo o lado sejam felizes e livres." Longo, mas fácil de gostar: é um voto dirigido a toda a gente, não a nós próprios.

Não precisas de cantar

Esta é a parte que costuma travar as pessoas, por isso convém dizê-la com clareza.

Em grupo, há quem adore cantar e quem se sinta ridículo, e ambas as coisas estão certas. Repetido mentalmente, um mantra funciona na mesma - e nas nossas aulas ninguém é obrigado a abrir a boca.

Também não precisas de saber sânscrito nem de perceber o que estás a dizer. Podes usar uma frase em português, se preferires. Podes usar uma palavra só.

O que interessa é a repetição e a atenção que ela organiza. O resto é preferência.

Se quiseres experimentar sozinho

Escolhe uma frase curta. Pode ser um dos mantras acima ou algo simples e teu.

Senta-te confortavelmente, com as costas direitas mas sem rigidez. Fecha os olhos, se te souber bem.

Repete a frase devagar, acompanhando a respiração. Não te obrigues a um ritmo - deixa que se encontre sozinho.

Quando reparares que estás a pensar noutra coisa - e vais reparar, várias vezes - volta simplesmente à frase. Sem comentários e sem te censurares. Esse regresso é o exercício inteiro.

Começa por três minutos. Não por cinco, nem por dez. Três minutos que se fazem todos os dias valem muito mais do que vinte minutos uma vez por mês.

Onde aparece nas nossas aulas

Nas aulas de Yoga usamos mantras com naturalidade, sobretudo no início e no encerramento da prática. Nunca como obrigação, e sempre com explicação de quem nunca ouviu aquilo antes.

Se quiseres experimentar, consulta os horários ou vê as modalidades que oferecemos. E se tiveres curiosidade mas alguma hesitação, escreve-nos - respondemos a sério.